03/12/2013

Amei demais


Madruguei demais. Fumei demais.
Foram demais todas as coisas que na vida eu emprenhei.
Vejo-as agora grávidas. Redondas.
Coisas tais, como as tais coisas nas quais nunca pensei.

Demais foram as sombras. Mais e mais.
Cada vez mais ardentes as sombras que tirei
do imenso mar de sol, sem praia ou cais,
de onde parti sem saber por que embarquei.

Amei demais. Sempre demais.
E o que dei está espalhado pelos sítios onde vais
e pelos anos longos, longos, que passei

à procura de ti. De mim. De ninguém mais.
E os milhares de versos que rasguei antes de ti,
eram perfeitos. Mas banais.


Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

16/11/2013

o "Eu" e o "Tu"



--- li em tempos um texto que me ditou o quanto poderia ter sido na vida, se um dia não tivesse encontrado a fronteira entre o "Eu" e o "Tu".
Tu...porque um dia me deixas-te ler nos teus olhos o quanto tinhas para me dar...
Para te construir misturei tudo o que tinha na minha mão e o que tinha no coração e mais ainda a virtude de te olhar.
Acrescentei a força do vento, a naturalidade da água, o forte trago do mel, o sabor exaustivo da fruta que um dia colhi sem que estivesse madura.
Queres ver, ainda não consegui conjugar os verbos que a professora me ditava e os que o meu pai se limitava a repetir.
Hoje já nem sei o que me falta, talvez o ondular das searas no meu olhar fizeram  com que o meu amanhecer foi tão incompatível com o teu habituado aos comboios, aos aviões e ao deambular das fábricas que moviam o teu mundo.
Li um dia que pudemos ser felizes com o barulho dos outros, mas incomodados com o nosso próprio barulho...talvez fosse isso que eu sentia! Talvez a melodia que me tinha sido imposta pela vida não fosse a mesma que haveria escutado, talvez as notas da minha guitarra, teriam sido o tilintar da foice sobre as espigas...talvez! Sim! Talvez!!!
E nas encostas do monte sonhava a planície,em pantufas leves, tão leves que pareciam invisíveis no meu estado de caminhar.
Ditas-te me palavras que nunca ouvi, razões que desconheci, ditas-te me o sabor dos breves instantes, a força das grandes verdades, mas nunca me construíste, tal como eu te construí...envolveste-me como se fosse uma pérola, guardas-te me como se fosse o melhor diamante que possuías,tudo isso, mas não me construiste!
Quero escrever com todas as letras o frio que me provocas, quando dizes que sou linda, linda era eu nas margens do meu rio, cantando as cantigas de embalar que a avó me cantou, linda era eu quando chorava às escondidas a dor de não saber a tabuada,e por esses motivos encerrava-me em mim e sonhava, sonhava o dia desigual entre todos, o dia de te conhecer, para te construir, para me sentir construida.
Repito-me quando te digo que um dia li um texto que me falou de ti, apenas errei porque nunca o li...


Toia in conversas com a lua

15/11/2013

"Solidão" por Fátima Irene Pinto



Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos
pela ausência de entes queridos que não podem 
mais voltar...
Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente
se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio!



Solidão não é o claustro involuntário que o destino
nos impõe compulsoriamente para que revejamos a
nossa vida...
Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto...

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa Alma!

Foto: Parque de Serralves, Março de 2013

"Fim da Noite" por Adolfo Casais Monteiro


A nossa história é simples: somos
neste momento todo o amor na terra
e nada mais importa, senão
o que sou, verdade em ti,
o que és, verdade em mim.
Por isso este poema talvez não seja
mais que um silêncio pela noite,
nem verso, nem prosa, só
uma oração ao deus desconhecido.


























Não é talvez senão o teu olhar,
e tua esquiva mágoa,
o teu riso e tuas lágrimas.
E o apelo dentro de mim
ao milagre de nos querermos,
com a mágoa e com o riso,
- e teu olhar que vê em mim.

Não sei pedir, sei só esperar.
Mas já houve o milagre. Estava
agora comigo ao longo das ruas, que antes
eram só casas de pálpebras cerradas.
Estava no silêncio, que antes
era mortal.

E tu, sem eu saber, estavas comigo.
E sem eu saber de súbito na treva
buliram asas
e sem eu saber era já dia.

Foto: Parque de Serralves, Março de 2013

Noite Transfigurada


Criança adormecida, ó minha noite,
noite perfeita e embalada
folha a folha,
noite transfigurada,
ó noite mais pequena do que as fontes,
pura alucinação da madrugada
– chegaste,
nem eu sei de que horizontes.

Hoje vens ao meu encontro
nimbada de astros,
alta e despida
de soluços e lágrimas e gritos
– ó minha noite, namorada
de vagabundos e aflitos.

Chegaste, noite minha,
de pálpebras descidas;
leve no ar que respiramos,
nítida no ângulo das esquinas
– ó noite mais pequena do que a morte:
nas mãos abertas onde me fechaste
ponho os meus versos e a própria sorte.


Eugénio de Andrade, in "As Mãos e os Frutos" (1948)

"E porque haverias de querer..." por Hilda Hilst


E por que haverias de querer minha alma
na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas,
obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
nem omiti que a alma está além, buscando
aquele Outro. E te repito: por que haverias
de querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

Domingo à Tarde


Querida Toia,

Desde 2008 que tenho por costume adquirir livros em alfarrabistas. Primeiro namoro-os, examinando a sua roupagem, os seus aromas, a sua idade, a textura das suas páginas, lendo de través o verso da contracapa. De seguida, recoloco-os na estante de modo a saber se querem vir comigo - ponto assente e obrigatório é que os vendam a preços módicos, caso contrário, é pouco provável que os traga -, ou se, pelo contrário, preferem ficar ali à coca de mãos mais suaves, abastadas e experientes. Acontece, por vezes. O primeiro dos meus livros - sim, é sobre ele que te falo hoje -, inegociável por razões afetivas, foi trazido quase clandestinamente para casa. Li-o, expectante, tempos mais tarde e reli-o agora pelo facto de o esquecimento das suas variações se ter apossado de mim (Fernando Namora é o autor e 1961 o ano em que foi dado à estampa). Trata-se de um romance em que as duas personagens centrais, Jorge, médico e narrador, e Clarisse, doente com leucemia, circulam uma em torno da outra numa empatia que, apesar de desconfiarmos do desfecho menos benévolo da trama, as entrelaça e conduz a uma das questões mais profundas no ser humano em todos os tempos e lugares, a da sua vulnerabilidade. Ao relê-lo, e são apenas duzentas páginas de caminho, percebi e percebemos facilmente que urge viver passo a passo, dia a dia, construindo lentamente, definindo metas, trabalhando com afinco e desfrutando o mais possível do melhor que há na vida.

José

Foto: Águas Férreas, Novembro de 2013

De madrugada



Estou a escrever de madrugada e começo a sentir-me fatigado. No quarto ainda é noite, embora o halo receoso que atravessa o vidro fosco da porta tenha vindo a aproximar-se sorrateiramente do cone de luz clandestina que incide sobre a secretária. Há anos que projeto substituir por um retângulo de madeira aquele vidro desabitado que às vezes me traz a alvorada antes que eu a deseje. Mas vou adiando sempre. Talvez porque espere que, através dele, voltem a ecoar-se os vultos, o rumor agitado da casa, de quando eu era menino e tinha birras e doenças imaginárias só para negociar a minha anuência aos remédios com a promessa de me deixarem calçar umas botas brancas. Umas botas saloias tal como as do Zé Fadista – o gaiato mais feliz do bairro, porque vestia e calçava tudo o que nos era interdito. De há muito que o halo não tem sombras nem rumores: apenas a madrugada sem corpo e sem voz, e enorme porque ninguém a preenche. Certas manhãs ficava acordado olhando o retângulo insidioso, recusando-se a admitir que o dia nascera, temendo a evidência da solidão. O mundo morava longe, muito para lá da porta, vinha-me dele um frémito longínquo. Agora, porém, o vidro fosco já não me aturde com essa espécie de despertar pavoroso e lívido. Agora sei que o pavor nos faz aproximar as coisas, habitá-las, que pelo amor as reconhecemos e que, depois de lhe recebermos a revelação, nada mais é preciso para nos sentirmos vivos.

Como foi possível escrever eu isto? Tenho os membros espessos da insónia. É a fadiga que nos amolece.

Fernando Namora, in “Domingo à Tarde” (1961)


Foto: Águas Férreas, Novembro de 2013 

14/11/2013

Ausência

Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença
é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar
uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como nódoa do passado
Eu deixarei...
tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém
porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes


13/11/2013

A minha noite






abro os meus braços
sobre mim e sobre ti
este é o mar que me sufoca
o fogo posto
que me queima

a minha lua que me despe
a minha fonte de água pura
a minha noite
no teu dia

Toia in poemas "pequeninos"

Ilust - Ilisa Ivans

"Saudade"


Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono.

Mia Couto



02/11/2013

"Somos a primeira pessoa do plural" - por José Luís Peixoto

Imagem do filme Baraka
«Estamos tão perto uns dos outros. Somos contemporâneos, podemos juntar-nos na mesma frase, conjugarmo-nos no mesmo verbo e, no entanto, carregamos um invisível que nos afasta. Ouvimos os vizinhos de cima a arrastarem cadeiras, a atravessarem o corredor com sapatos de salto alto, a sua roupa molhada pinga sobre a nossa roupa a secar; ouvimos a voz dos vizinhos de baixo, dão gargalhadas, a nossa roupa molhada pinga sobre a roupa deles a secar; cheiramos as torradas dos vizinhos do lado, ouvimo-los a chamar o elevador e, no entanto, o nosso maior problema não é apenas não nos reconhecermos na rua. O nosso problema grande é estarmos convencidos que os problemas deles não nos dizem respeito. A nossa tragédia é acharmos que não temos nada a ver com isso.

Há três ou quatro anos, caminhava com um conhecido no aeroporto. De repente, ouviu-se um estalido. Ele agarrou-se ao peito com as duas mãos, caiu de joelhos e, pálido, esperou por morrer. Não morreu. Tinha-lhe rebentado um isqueiro no bolso da camisa. Aliviado, encostado a um balcão, a beber um copo de água, explicou que esse ardor repentino e esse susto pareceram-lhe um ataque cardíaco. Nunca tinha tido um ataque cardíaco antes, por isso confiou em descrições vagas, a que nunca tinha realmente prestado muita atenção.

Há alguns anos também, talvez um pouco mais do que três ou quatro, tinha acabado de participar num jantar cordial, reconfortante. Toda a gente estava bem disposta, à porta dos anfitriões, longa despedida, graças, à espera de táxi. De repente, tocou o telefone de um senhor com quem tinha estado a conversar durante todo o serão. Ninguém reparou nesse telefonema até ao momento em que o senhor começou a chorar convulsivamente. Ficámos todos a olhar sem saber como chegar até ele. Tínhamos braços, estendíamo-los na sua direcção, mas continuavam distantes.

Irritamo-nos com a existência uns dos outros. Fazemos sinais de luzes àquele homem com setenta anos, num carro dos anos setenta, que anda a setenta quilómetros por hora na auto-estrada. Contrariados, esperamos por aquela pessoa que atravessa a passadeira, enchemos as bochechas de ar e sopramos. Impacientes, batemos no volante. Daí a minutos, depois de estacionarmos o carro, somos essa pessoa a atravessar a passadeira. Da mesma maneira, daqui a algum tempo, não muito, seremos esse homem com setenta, dos setenta, a setenta. O tempo passa. Se deitarmos lixo para o chão, alguém o apanhará.

Um amigo que teve um AVC, que passou por uma reabilitação profunda, que enfrentou a morte e a paralisia, depois de anos de fisioterapia, depois de esforço gigante e sofrimento gigante, falou-me da forma como esse susto muda tudo. Passa-se a apreciar aquilo que realmente importa. A imensa maioria das preocupações transformam-se em luxos ridículos, desprezíveis, alimentados pela cegueira. Após essa experiência de quase morte, ganha-se uma nitidez invulgar, que, no entanto, esteve sempre lá. Para percebê-la, bastava levar a sério a promessa de transitoriedade de tudo e, também, levar a sério essa palavra, esse planeta: o amor. Ao ouvi-lo, fui capaz de entender aquilo que dizia. Depois, também fui capaz de entender quando me disse: mas, sabes, ao fim de algum tempo, esquecemo-nos, voltamos a tomar tudo por garantido e voltamos a cometer os mesmos erros.

Repito para mim próprio: estamos tão perto uns dos outros. Não há nenhum motivo para acreditarmos que ganhamos se os outros perderem. Os outros não são outros porque levam muito daquilo que nos pertence e que só pode existir sendo levado por eles. Eles definem-nos tanto quanto nós os definimos a eles. Eles são nós. Eles somos nós. Se tivermos essa consciência, podemos usar todo o seu tamanho. Mesmo que pudéssemos existir sozinhos, de olhos fechados, com os ouvidos tapados, seríamos já bastante grandes, mas existe algo muito maior do que nós. Fazemos parte dessa imensidão. Somos essa imensidão que, vista daqui, parece infinita.»

A tua falta incomoda-me, meu anjo!







Faltam as manhãs contigo, faltam as noites em que acordo com o barulho da tua ausência, não entendo porque me deixas-te o cheiro impregnado dos teus sonhos, que agora fazem parte dos meus, num vazio ensurdecedor de dor e ansiedade.

Acendo a vela com aquela fragrância escolhida por ti com a plena certeza que os anjos voltam sempre aos lugares onde foram felizes.

Porque não me falas, meu anjo?

Porque a sombra das tuas asas me faz tanta falta?

Dou por mim saboreando o ontem, porque o hoje é tão mais amargo...e o amanhã é a cortina que absorve todos os sabores, até o teu que é indiscutivelmente único:

Perco-me nas ruas de sentido proibido, transporto em mim todos os ingredientes deliciosos para que seja mais fácil encontrar o teu destino.

Navego mar adentro em direção ao teu porto, como se fosse fácil saber o mar em que um dia naufragas-te e te salvas-te, sabendo eu que fui a tua boia de salvação.

Hoje, sou eu a ouvir o teu silêncio,hoje sou eu que perdi as minhas asas, e nada sei senão imaginar que o meu mar está tão longe do teu céu.

Hoje sou eu a chorar a tua dor,a correr em contra mão, a desnudar o que resta de mim, estou tão só que o meu olhar se perde para lá do horizonte, estou tão ausente, que oiço o silêncio no meio da multidão barulhenta.

Só sei que me fazes falta com a luz do teu sorriso,faz-me falta olhar e contemplar o teu rosto, fazes-me tanta falta, que sinto uma asfixia que me imobiliza,fico sem luz e sem amanhã.
Perdoa-me se ainda sabes onde mora a luz dos meus olhos e não a queres acender.

Roubas-te-me as asas e partis-te...

Sinto o céu cair onde já não há chão...

Toia ( cartas para um anjo)

01/11/2013

O Amor, Meu Amor

Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.

Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.

E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.

E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.

Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.

Mia Couto, in "idades cidades divindades"

19/02/2012

Vamos...

Vá lá...anda! Vamos!
Dou-te a mão, dás-me a mão. Ainda me falas de liberdade, mas nos teus olhos a luz do sol reflecte paz,adquire outra tonalidade com o aroma de fruta acabada de colher.
Gosto das palavras, dos gestos, enquanto falas, levas-me nas frases, como se metade de mim fosse a bagagem trivial nas tuas viagens em pensamento. Enfeitas com cores a essência do momento. E, sabes!!! Aconteça o que acontecer, mesmo sem nada me dizeres, já me encantas.
Mas não te iludas, o canto da sereia é tentação permanente... Sem te dares conta, as palavras começam a ficar gastas, sem essência, desvanecem-se em nada. E o frio sobrepõe-se à envolvência do abraço.
Liberta-te, solta-te da sedução das suas amarras. Depois, sem pressa, pinta cada palavra com aquilo que realmente sentes. Vais ver que, a pouco e pouco, elas ganham sentido por si, mas em função de ti.
Quando elas se soltam és tu que te soltas, és tu que ganhas asas,e as palavras apenas ficam caladas a admirar a paisagem, vista bem lá de cima.
Sabes? Não quero ser o anjo que domina nem o saltimbanco que te anima no tristes dias, nem nas negras noites, quisera eu ser luz, ser vida, ser o brilho do olhar em hora de despedida, e na cor da tinta que escrevo ditar o nome e a palavra chave...
Não sei escrever ditei!
Depois envolvi a caneta, baixei os olhos e as palavras surgiram, pareciam estrelas cadentes, hoje, não sei onde param, apanhei algumas delas para partilhar contigo...
Apenas estas!!!
As outras............voaram..........

Toia (in renascer 2012)

17/01/2012

O dia veio buscar-me...

Roubou parte de mim..não sei quanto me levou?…
Mas faltou em mim o espaço onde guardava as lembranças.
Teria sido hoje o dia para rever as coisas esquecidas?
Teria sido a razão do meu dia não se lembrar de terminar.
Eram duas horas da manhã e tudo continuava em silêncio, as palavras estavam ali naquele amontoado de emoções…Quem guarda acha!!! Já dizia a avó, e eu procurei no sítio onde guardara, as memórias dum dia de sol em que o dia não se quis deitar…Suspirou, num murmúrio rendido ao cansaço fechou os olhos,foi para onde moram todos os pores de sol…alquimia do passado, onde ficam as pétalas de rosas e as jóias desenhadas pelo vento….para me mostrar, coisas, esquecidas, antigas de menina que não sabe chorar.
Utopia do pensamento, virei a página e escrevi…falta-me um a” para escrever amor, e dos ps” que encontrei nenhum queria ser a primeira letra de paixão… Dizia baixinho o h” para que precisam de mim para escrever Hoje?...para que existo se ninguém fala de mim? Soprando ao ouvido do amanhã perguntei…Tesouro (mal guardados) alquimia, que eu amava?..(sei eu que hoje falo da química da alma)
Não menina, no escuro das noites nada me podes dizer, porque o silêncio do sol não tem preço, e ele, foi dormir, e com ele levou todo o ontem, todo o hoje, se te demorares por aqui leva também o amanhã...
Contavam as fadas em leves murmúrios que os assobios do vento eram aventuras de menina que sonhava! Desenhava o que sentia, e daquele amontoado de palavras nasceu a minha nota…
Pequenina como uma gota de orvalho da manhã, que no primeiro raio do sol desaparece.! O dia veio buscar-me, levou-me para o amanhã…
 

Toia (renascer 2012)

03/08/2011

Hoje........


Quero o sol na minha janela
Quero  os restos  de orvalho na minha madrugada
E acordar com a alma descansada…
Neste reino poderoso do meu querer
Não são rosas que tenho para te dar, mas um sol infinito para as criar…
Não sei de quanta cor é o teu mundo…nem quanta dor tens num segundo
Mas se sou o reino prometido e o encanto do amor compreendido
 
By Toia

09/07/2011

Não........posso............



Não posso morrer hoje, como morre a noite!
Posso deitar-me e adormecer; e ter uma cama de pedra; e um cobertor de flores e não ouvir senão o rumor dos passos de quem não dorme!
...plantas que despontam na noite, e o zumbir dos insectos, encandeados pelas lâmpadas... no escuro, resta o barulho das ondas do mar numa sinfonia profunda onde o dia nos espera!

Apenas devo acordar...


By Toia

28/06/2011

Vida na essência da música...



No planeta da Vida*
equilibra-se uma flor

E, na flor um jardim,
e no jardim encantado
brilha o sol
o dia inteiro
enamorado

e na Vida* o som da música
abençoa o planeta
na essência do amor
a asa de uma borboleta...

By Toia

19/04/2011

Sou

ESPREITO O MUNDO...como criança à janela numa sala de aula, em dia de chuva. Parto em viagem à procura de uma história, de uma palavra que me empurre para o outro lado do vidro.
Abro as asas e sinto-me a flutuar,com a força dos ventos, sem horas nem destino...

Sou a própria borboleta, que flutua nas cores de uma lágrima de chuva.....

By Borboleta com asas"

17/04/2011

Olhar...o meu!...


Escrevo, não pinto!
O que me sai do olhar, são palavras, são rimas, são cores.
Nem sempre tenho as cores do arco íris, é verdade, mas tenho a linha do universo no meu olhar, e as minhas asas de saber voar.
Que se afogue o poeta e se salve…
Aqui…onde os sinos tocam, na hora de sonhar.
Aqui, não há tempo, nem regras, nem mesmo ordens para cumprir…
Aqui há um vazio cheio de mim que corre como o rio, com margens pintadas de emoção.
Aqui há um sol que me visita, uma onda que me agita, e por que vezes  me pinta, outras me desenha, outras ainda e muitas, muitas!!! Me imagina…são as palavras arrumadas, onde guardo e assino o meu nome…

Borboleta com asas

07/03/2011

Mulher




Mulher! teus  olhos manchados de vida
onde o silêncio faz suas marcas
quem és tu mulher?
és alma
és dor
és vida em Ti*
coração das tuas próprias conquistas
verdade das tua pele
flor do vento
enorme batalha, vencida e chorada
mãe e amada
filha, senhora de teus anseios
és mulher
és sol, mar e naufragar
és navegar,navegar
danças sem música
retalhos de ti
certezas de querer e
Vencer
Só tu Mulher

04/02/2011

Balançar...



Num apagão, desliguei-me de tudo e todos.
Adormeci, nada me ocorria,
estava num vazio absoluto,
apagou-se o meu bater,
o meu sentir
o meu prazer
o meu ser
não sabia que era aquela a minha hora,
fechei os olhos e adormeci..


03/10/2010

Papoilas...as minhas papoilas ...

Lendas & Factos
Na Grécia Antiga esta flor era dedicada a Hipnos, o Deus do Sono e a Morfeu, o Deus dos Sonhos. As estátuas de Demétrio eram decoradas com papoilas.
Os Romanos dedicavam esta flor à Deusa Ceres. Segundo a lenda, Ceres vagueava pela Terra e não conseguia encontrar o que procurava. Então os outros Deuses decidiram cultivar papoilas. Certa vez a Deusa colheu as papoilas e caiu num sono profundo, quando acordou reparou que havia ainda muitas para colher. Desde então que o florescimento das papoilas está relacionado com a época das colheitas.
Os Ucranianos consideram a flor como sendo o símbolo do Amor e da Beleza. Os Alemães como sendo símbolo de Fertilidade. Os Siberianos espalham papoilas nas pernas dos recém-casados, para que tenham uma família feliz e muitos filhos. Mas, na China as papoilas estão relacionadas com crenças más.
Não existem apenas papoilas vermelhas e brancas, nos Himalaias há muitas papoilas azuis.



Majestic Poppy, by Ywing Ming Jyang Nome científico: papaver rhoeas.
Significado: Fragilidade, Beleza Efémera.


Mensagem: Nada é eterno

.
Em Francês, papoila diz-se coquelicot (que sonoridade tão bonita!) que quer dizer chant du coq, ou seja, canto do galo.
Os Celtas reduziam as pétalas das papoilas em pó e deitavam-nas nas papas dos bébes para que dormissem.
Em Marrocos, ainda se usam papoilas secas para se fazerem batom e outros cosméticos naturais.
As papoilas não são oferecidas porque logo que são colhidas, murcham…


Lendas ligadas à papoila

Morfeu, o deus dos sonhos, recebia em oferenda coroas de papoilas.
Foi permitido por Zeus, que Perséfone renascesse na primavera sob a forma de uma papoila, depois de ter sido raptada por Hades.


Na mitologia romana, conta-se que Júpiter transformou um jovem pastor em papoila porque ele tinha o costume de imitar o canto do galo de cada vez que via as ninfas a tomarem banho nuas…

Metamorfose da Papoila, de Nuridsani & Perennou

Segundo o horóscopo das flores (pelos vistos também há este), a papoila significa ainda amores fora do comum e extravagantes. A sério…?!

31/01/2010

Morre lentamente"

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar,
morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um remoínho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante…
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de o iniciar,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade.

Pablo Neruda

16/01/2010

A minha noite"



É a noite a pausa das nossas vidas, onde o tempo pára e tudo cai no esquecimento,que nos cobre, onde nada mais importa, onde cada gesto nosso, cada palavra e beijo suspendem o universo.

Os corpos que somos se fundem porque nos tornamos alquimistas senhores de todos os segredos, as almas abandonam esse corpo único e nascem nesses instantes eternos como uma só....nada nos faz diferentes; nada mais somos ... que a unidade do amor expressando-se na romântica escuridão da noite cravada de milhões de diamantes cintilantes.
Por tudo isso, sei que a maior de todas as riquezas é saber que somos diamantes que brilham , no coração de alguém...

Que a noite não escurece , e que o dia amanhece consciente de que  todos os minutos existe alguém que nos defende da solidão, do pavor dos erros , do medo da vida e do segredo secreto da escuridão...

09/01/2010

Esta noite



Esta noite
coloquei no cálice que te ofereci,
 depositadas, uma a uma,
pétalas soltas
das mágoas e das tristezas,
que me debilitam, que me fragilizam
em dor, na seiva de um Bem-Querer
Maior.


Esta noite, o sal das minhas lágrimas,
salgou o mar e a pele do teu corpo
e na negra noite, te olhei, e te aconcheguei
... a noite, envergonhada, escondeu-se dentro de ti,
quando, numa dança ébria, sem fim,
dancei na Lua plena... da tua ausência 

Não queiras chorar por mim... já não tenho lágrimas para te dar de crédito
Nem cálices,nem pétalas
tenho apenas um céu aberto,coberto de estrelas 
E uma música estonteante que deixa.... 
o meu Bem Querer-Maior

08/01/2010

Pedra Filosofal





Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

06/01/2010

Nada é por acaso




Só o sol não se esquece de nascer..
E o acaso não sabe onde mora
E a verdade de ter ou não ter!...  um Amor... que se vai embora

Esta dor"


Cansa-me esta dor pensada,
Calada, ferida e bem vincada,
Tanto na alma como no coração.
Mas não é a culpa que me atormenta,
Nem a paga, nem o perdão que a sustenta,
Nem sequer são as marcas frágeis da paixão